Entre os principais planos (pelo menos para mim) da viagem na Itália (que fizemos em abril) era o passeio gastronômico de massas e pratos nos seus locais de origem. Vivia enchendo o saco de Karina dizendo que ia comer:
- Bife à milanesa em Milão;
- Linguiça toscana na Toscana (vale qq cidade de lá: Florença, Pisa, etc);
- Lasanha bolonhesa em Bolonha;
- Pizza de todos os sabores em todas cidades.
Só a pizza napolitana em Nápoles e a linguiça calabresa na Calábria que iriam ficar para depois, afinal, nosso passeio foi pelo norte.
PS: para quem não sabe, Karina é calabresa (a família italiana do pai dela é de lá), hehehe
Então, nossa chegada foi em Milão, e já no trem começamos a conversar com umas italianas de lá e aproveitei para perguntar:
- Bife à milanesa, tem algum lugar mais famoso?
- Como?
- Bife, carne, steak, boi, alla Milanese
Afinal entenderam o que perguntei, mas olham com uma cara estranha uma para as outras e no final disseram:
- Isso não existe em Milão, isso é invenção de brasileiro, hahahaha
Achei estranho e na hora não me dei por vencido, vai ver que elas entenderam errado, ainda iria procurar o tal bife pelos menus quando chegasse na cidade, ainda tinha esperança de cumprir o meu plano. Mas, depois de ler guias e vagar pela cidade realmente vi que o prato é invenção de brasileiro mesmo, a comida tradicional de Milão é o risoto, e não o bife, à Milanesa.
- Karina, vou então encarar esse risoto, é o prato tradicional daqui, eu adoro arroz e devo gostar.
Nem o guardanapo brega de Buon Appetito ajudou, lembrei com saudade do Big Mac que tinha comido de tarde, mais gostoso e barato, mas ainda estava tranquilo: “amanhã eu acho alguma coisa melhor!”.
Mas o amanhã veio e nada. Daí pensei: “O forte de Milão não deve ser comida, mas em Gênova espero que seja diferente”. No caminho para Gênova (viajamos de carro) paramos em uma cidadezinha chamada Pádua. Restaurante em cidadezinha vem na minha cabeça comida regional, feito em um fogão à lenha e com alguma sorte vegetais sem agrotóxico de alguma horta próxima. Então, perguntamos onde ficava um restaurante legal/popular e lá fomos nós:
Eu não estava nem lembrado do que tínhamos comido lá (tive que rever as fotos), a comida era tão boa que o que mais me marcou foi o banheiro do local, já que a privada era esse buraco aí no chão. Fiquei imaginando todos os iniciantes com a mira ainda falha que após fazerem o serviço se depararam com o dito cujo descansando ao lado do buraco . Mas sei lá, vai ver que as marcas dos pés servem tb para colocar os usuários na posição correta
Mas continuando a viagem…
o que mais marcou do restaurante em Pádua foi o banheiro esquisito
Chegamos em Gênova, comida tradicional: foccacia, comemos e achamos normal. Depois tentamos uma pizza. Se você não dormiu nas aulas de História deve se lembrar que Gênova e Veneza controlaram o comércio marítimo por muito tempo. Então, em Gênova se coloca peixe em várias pizzas. Resultado: o peixe da nossa (suspeitamos que era sardinha) estava altamente salgada, acabamos sem conseguir comer e foi para o lixo
Mas o que mais me marcou em Gênova não foi nem a comida (marromeno) em si, mas…
o atendimento que tivemos em um restaurante lá. O garçom era completamente impaciente, estilo Seu Lunga. No início perguntamos se ele falava inglês, daí respondeu que sim e perguntamos algumas coisas. Porém, quando Manuela perguntou a ele o que era um ingrediente de um dos pratos (nós não sabíamos a palavra em inglês), ele só faltou bufar de raiva e falou:
- Mas como você pergunta isso? Você não falou que falava ingles? então, isso é isso, pronto!
Poisé, ele acabou sem ganhar gorjeta
No caminho para Pisa, paramos em uma cidade da região de Cinque Terre para almoçar, mais uma tentativa frustrada:
E a lasanha ou macarronada à bolonhesa? Procurávamos e também não achávamos, tinha um molho chamado de ragu que pela descrição aparentava ser o mesmo, mas ragu? até na alemanha você encontra lasanha à bolonhesa no supermercado. Essa foi outra dúvida cruel que acalentamos durante a viagem, se ragu era ragu ou se ragu era bolonhesa disfarçada de outro nome. Finalmente em San Giminiano, cidade ao redor de Florença que tiramos de vez a dúvida:
O cardápio em italiano chama Ragu, na tradução para inglês eles cita o bolonhesa entre parênteses.
Acabei então pedindo a lasanha ragu/à bolonhesa mesmo:
E o sabor? também, nada de extraordinário.
Para resumir, já em Florença tinha perdido as esperanças nos pratos da Itália. Por mais estranho que pareça, a Itália foi o lugar onde comi o maior número de comida italiana sem graça/normais na minha vida, e olhe que tentei durante 9 dias. Se você está acostumado com os Spolletos da vida no Brasil, ou outras redes como o Quanto Prima e até a boa e velha Mister Pizza (que tem uma lasanha muito boa), pela minha experiência você não está perdendo nada, ao contrário, de vir comer na Itália
A coisa foi tão periclitante que quando voltamos para Berlim fomos comer em um restaurante… italiano! para lembrar como é uma boa comida
Esse é o Don Giovanni (operado por turcos) que fica mais ou menos perto daqui de casa. Para não dizerem que sou chato, Mário e Manuella que viajaram conosco também concordaram que os turcos de Berlim deram de 10×0
Isso sim é comida italiana!





E aí….para vc.ver…..nem tudo é tão maravilhoso e excepcional aí.Bjo
Está ótimo este post. Acharam (ou melhor, não acharam) o queijo gorgonzola?
Abraços,
Aline
Já tinha ouvido essa história a respeito da comida italiana na Itália ser ruim de uma tia minha. Ainda estava meio na dúvida, mas depois desse bem documentado depoimento, não mais. Quem sabe é um efeito “em casa de ferreiro o espeto é de pau”.
Bom, pelo menos o queijo parmesão que compro por aqui vem da itália mesmo e é bom pra caramba.
Oi, Aline, queijo nem procuramos muito. Passamos em uma loja famosa em Milão que tinha muita coisa legal, mas um pacote pequeno de jujubas custava 15, daí os queijos nem quis saber do preço
Queijo bom encontramos em Amsterdam.. hummmm….